Páginas

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Adailson Machado quer a FAMEM, mas ainda não deu conta de Paulo Ramos

Cargo exige diálogo com o novo governo, trânsito em Brasília e articulação com 217 prefeitos, qualidades que o nome “ventilado” ainda não demonstrou

A eleição da presidência da Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (FAMEM) está prevista para janeiro de 2027. Eleito para o biênio 2025/2026, o prefeito de Bacabal, Roberto Costa, já avisou que não pretende disputar a reeleição. Bastou o anúncio, para alguns nomes começarem a circular.

Um deles foi "lançado", por enquanto, num único blog, alinhado ao próprio prefeito de Paulo Ramos: Adailson Machado, descrito como “forte” candidato ao comando da entidade. Em política, o adjetivo costuma sair antes do voto.

A pergunta que se impõe é simples, quem ainda está no segundo exercício à frente de Paulo Ramos e não conseguiu, até aqui, dar à cidade a atenção que ela exige reúne condições de conduzir uma federação que reúne 217 municípios? A administração do próprio quintal costuma ser o primeiro currículo de quem pleiteia representar os quintais dos outros.

A presidência da FAMEM não é um cargo decorativo. Quem a ocupa precisa de capacidade de diálogo e de articulação institucional. Precisa ser a ponte entre os prefeitos e uma nova administração estadual, com trânsito também no Governo Federal e entre as diferentes forças políticas do estado.

Nesse ponto, o histórico de Adailson Machado pesa contra ele. Na última e recente eleição, ele esteve do lado oposto ao do governador eleito, Eduardo Braide, e apoiou Orleans Brandão. Divergência eleitoral é da democracia e não desqualifica ninguém. Mas a função exige, no primeiro dia de gestão, proximidade e interlocução com quem vai comandar o Palácio dos Leões. Proximidade se constrói com o tempo, e o tempo, nesse caso, não está a favor.

A FAMEM vive de confiança. Os prefeitos votam em que acreditam que conseguirá abrir portas, destravar recursos e defender os municípios diante do estado e da União. Nenhuma dessas tarefas se revolve com um bom aliado de blog.

Nada impede que Adailson Machado dispute. Candidatura é direito de quem preenche os requisitos. Mas o desejo de comandar a entidade precisa vir acompanhado de uma pergunta que o próprio “candidato” deveria se fazer: os prefeitos maranhenses enxergam nele a ponte de que a federação precisa para os próximos dois anos?

Pelo que se vê até agora, a resposta ainda não chegou. Os atributos exigidos para o cargo, a capacidade de diálogo, a articulação e o trânsito político, não são, por enquanto, os que o prefeito de Paulo Ramos tem a oferecer.

A eleição está marcada para janeiro. Até lá, há tempo para que os nomes apareçam e sejam testados. Para o de Adailson Machado, o teste mais urgente começa em casa, em Paulo Ramos.

LEIA TAMBÉM: Secretário de Saúde de Paulo Ramos, comanda a pasta à distância, direto de São Luís...

Ministério Público abre inquérito sobre "servidores fantasmas" na prefeitura de Paulo Ramos

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do editor do Blog do Vanilson Rabelo. Ficando responsabilizado (a), quem o escreveu.