Cargo exige diálogo com o novo governo, trânsito em Brasília e articulação
com 217 prefeitos, qualidades que o nome “ventilado” ainda não demonstrou
A eleição da presidência da Federação dos Municípios do Estado do Maranhão
(FAMEM) está prevista para janeiro de 2027. Eleito para o biênio 2025/2026, o
prefeito de Bacabal, Roberto Costa, já avisou que não pretende disputar a reeleição.
Bastou o anúncio, para alguns nomes começarem a circular.
Um deles foi "lançado", por enquanto, num único blog, alinhado ao próprio
prefeito de Paulo Ramos: Adailson Machado, descrito como “forte” candidato ao
comando da entidade. Em política, o adjetivo costuma sair antes do voto.
A pergunta que se impõe é simples, quem ainda está no segundo exercício
à frente de Paulo Ramos e não conseguiu, até aqui, dar à cidade a atenção que
ela exige reúne condições de conduzir uma federação que reúne 217 municípios? A
administração do próprio quintal costuma ser o primeiro currículo de quem
pleiteia representar os quintais dos outros.
A presidência da FAMEM não é um cargo decorativo. Quem a ocupa
precisa de capacidade de diálogo e de articulação institucional. Precisa ser a
ponte entre os prefeitos e uma nova administração estadual, com trânsito também
no Governo Federal e entre as diferentes forças políticas do estado.
Nesse ponto, o histórico de Adailson Machado pesa contra ele. Na última
e recente eleição, ele esteve do lado oposto ao do governador eleito, Eduardo
Braide, e apoiou Orleans Brandão. Divergência eleitoral é da democracia e não desqualifica
ninguém. Mas a função exige, no primeiro dia de gestão, proximidade e interlocução
com quem vai comandar o Palácio dos Leões. Proximidade se constrói com o tempo,
e o tempo, nesse caso, não está a favor.
A FAMEM vive de confiança. Os prefeitos votam em que acreditam que
conseguirá abrir portas, destravar recursos e defender os municípios diante do
estado e da União. Nenhuma dessas tarefas se revolve com um bom aliado de blog.
Nada impede que Adailson Machado dispute. Candidatura é direito de
quem preenche os requisitos. Mas o desejo de comandar a entidade precisa vir
acompanhado de uma pergunta que o próprio “candidato” deveria se fazer: os
prefeitos maranhenses enxergam nele a ponte de que a federação precisa para os próximos
dois anos?
Pelo que se vê até agora, a resposta ainda não chegou. Os atributos
exigidos para o cargo, a capacidade de diálogo, a articulação e o trânsito
político, não são, por enquanto, os que o prefeito de Paulo Ramos tem a
oferecer.
A eleição está marcada para janeiro. Até lá, há tempo para que os nomes apareçam e sejam testados. Para o de Adailson Machado, o teste mais urgente começa em casa, em Paulo Ramos.
LEIA TAMBÉM: Secretário de Saúde de Paulo Ramos, comanda a pasta à distância, direto de São Luís...


Nenhum comentário:
Postar um comentário
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do editor do Blog do Vanilson Rabelo. Ficando responsabilizado (a), quem o escreveu.