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| Nilsilene do Liorne, prefeita de Alto Alegre do Maranhão. |
Prefeitura
anunciou festa de 30 anos com Zé Vaqueiro enquanto esgoto corre a céu aberto e
o inverno bate à porta
Dizem
que quem não tem pão deve comer brioche. Em Alto Alegre do Maranhão, a receita
é outra, quem não tem asfalto ganha forró.
A
Prefeita Nilsilene do Liorne anunciou, com direito a perfume no ar, a festa dos
30 anos do município, marcada para 9 de novembro e embalada por Zé Vaqueiro,
artista que costuma cobrar no mínimo R$ 300 mil por show em cidades do interior
maranhense.
O
contraste é de uma eloquência que dispensa adjetivos. Na cidade, os buracos
formam uma malha viária paralela, mais extensa e mais bem distribuída que a
oficial. Há ruas onde o esgoto corre a céu aberto, como se fosse um riacho
municipal que ninguém pediu. A iluminação pública falha, e quem anda à noite
aposta na memória e na sorte. As UBS’s, que deveriam ser a porta de entrada da saúde,
sofrem com a falta do básico, o que é um jeito sofisticado de dizer que falta
tudo.
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Na
zona rural, a situação é ainda mais dramática. As estradas, muitas delas já estão intrafegáveis,
e o inverno chuvoso ainda nem chegou. Quando chegar, o que hoje é poeira e
valeta vira lama e isolamento. Quem produz não escoa, quem adoece não chega,
quem estuda falta. A chuva, que no sertão é bênção, vira castigo quando
encontra uma estrada abandonada.
É
nesse cenário que a prefeitura decide, com orgulho, abrir o palco. Trinta anos
de emancipação merecem comemoração, ninguém duvida. O problema não é a festa, é
a ordem das prioridades. Celebrar um município em que o cidadão desvia de
cratera para chegar ao posto de saúde, lembra aquele anfitrião que serve champanhe
na sala enquanto a goteira alaga a cozinha.
É
o velho “pão e circo”, fórmula romana de entreter o povo para que ele não olhe
muito para o próprio chão. A versão altoalegrense só tem uma atualização; o
pão está em falta, e o circo vem com cachê de seis dígitos.
Se
há dinheiro para um show do porte de Zé Vaqueiro, por que não há para tapar
buraco, iluminar a rua, abastecer a UBS e cascalhar a estrada?
Com
a palavra, Nilsilene do Liorne, prefeita de Alto Alegre do Maranhão...

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