Najmeh Amini também recebeu pena superior a 12 anos de prisão;
acusada de blasfêmia, jovem afirma ser inocente e pede investigação internacional
sobre o caso
A estudante iraniana Najmeh Amini, de 23 anos, foi condenada à
morte por blasfêmia e mais de 12 anos de prisão por acusações relacionadas à segurança
nacional e à divulgação de propaganda contra o regime do Irã. Segundo o jornal britânico
The Guardian, nesta quarta-feira (14), a sentença capital foi motivada por uma publicação
nas redes sociais considerada ofensiva ao profeta Maomé.
De acordo com o jornal iraniano Khorasan, que confirmou a existência
do processo, Amini alegou em tribunal que fez os comentários sob efeito de
cogumelos alucinógenos. A defesa classificou o episódio como um lapso verbal,
mas o juiz rejeitou o argumento. A jovem está detida na prisão de Vakilabad, em
Mashhad, no nordeste do país.
Estudante pede investigação internacional
Em uma gravação divulgada em setembro, Amini pediu que a Organização
das Nações Unidas (ONU), advogados e entidades de direitos humanos
investigassem seu caso.
- Não quero transformar-me numa heroína. Só quero uma coisa: que sejam
a minha voz – afirmou. Ela também disse ser inocente e relatou o sofrimento da família
diante da possibilidade de perder a jovem.
A condenação provocou alertas de organizações de direitos humanos,
que denunciam o aumento das execuções no Irã. Segundo a Human Rights Activists
in Iran (HRAI), mais de 600 pessoas foram executadas no país somente neste ano.
O Código Penal iraniano prevê pena de morte para insultos ao
profeta Maomé e a figuras xiitas veneradas, embora estabeleça exceções em determinadas
circunstâncias. A sentença de Amini, contudo, ainda não é definitiva e pode ser
contestada no Supremo Tribunal do Irã.

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