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terça-feira, 20 de outubro de 2026

MIRANDA DO NORTE: Empresa recebe R$ 7,1 milhões de emenda Pix de Junior Lourenço e MPC denuncia possível desvio

O Ministério Público de Contas do Maranhão (MPC-MA) apresentou ao TCE-MA, em 14 de outubro de 2026, uma representação com pedido urgente de bloqueio dos pagamentos feitos à FCK Empreendimentos (E O Lessa Ltda). O dinheiro veio da emenda pix nº 202641110003, do deputado federal Junior Lourenço, no valor de R$ 7.749.260,99, destinada a Miranda do Norte, cidade que ele governou de 2009 a 2016.

Principais pontos

·       Concentração: a FCK recebeu R$ 7.168.185,58 em nove pagamentos, o equivalente a 92,5% da emenda.

·       Desvio de finalidade: o Plano de Trabalho previa asfalto e recapeamento no Residencial Santa Bárbara 2, no Conjunto Santa Cruz e no Bairro Nova Miranda II. Quatro pagamentos, cerca de R$ 2,7 milhões, foram registrados como “manutenção de estradas vicinais”, sem licitação nem contrato. O MPC vê violação do art. 166-A da Constituição.

·       Contrato invisível: os outros R$ 4,4 milhões foram pagos com base no “Contrato nº 003/2026”, que não consta no Portal da Transparência nem do SINC-Contrata. O MPC o localizou no Diário Oficial: assinado em 20 de julho, no valor de R$ 8,75 milhões, superior ao total da emenda.

·       Projeto básico incomum: R$ 900 mil foram liquidados 15 dias após a assinatura (5 de agosto), e 92,5% do valor já havia saído do caixa em 24 de setembro. O procurador considera o prazo “assaz exíguo” para uma obra que exige mobilização de equipe, máquinas e usina, e suspeita que os pagamentos possam ter ocorrido sem a execução dos serviços.

·       Suspeita política: há a hipótese de uso do dinheiro como caixa dois na campanha de reeleição do deputado, apontada como uma das mais caras do estado.

·       Alvos de representação: a empresa, o Município de Miranda do Norte e o secretário municipal Saulo Rennan da Silva Mendes. A peça é assinada pelo procurador Jairo Cavalcanti Vieira.

O que o MPC pede ao TCE-MA

·       Medida cautelar urgente para suspender os pagamentos à FCK.

·       Citação imediata da prefeitura, do secretário e da empresa.

·       Fiscalização in loco para verificar se as obras existem.

·       Se confirmadas as irregularidades, conversão em tomada de contas especial, multa e devolução do dinheiro.

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