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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Em Alto Alegre do Maranhão; o buraco é de graça, mas o show custa no mínimo, R$ 300 mil

Nilsilene do Liorne, prefeita de Alto Alegre do Maranhão.

Prefeitura anunciou festa de 30 anos com Zé Vaqueiro enquanto esgoto corre a céu aberto e o inverno bate à porta

Dizem que quem não tem pão deve comer brioche. Em Alto Alegre do Maranhão, a receita é outra, quem não tem asfalto ganha forró.

A Prefeita Nilsilene do Liorne anunciou, com direito a perfume no ar, a festa dos 30 anos do município, marcada para 9 de novembro e embalada por Zé Vaqueiro, artista que costuma cobrar no mínimo R$ 300 mil por show em cidades do interior maranhense.

O contraste é de uma eloquência que dispensa adjetivos. Na cidade, os buracos formam uma malha viária paralela, mais extensa e mais bem distribuída que a oficial. Há ruas onde o esgoto corre a céu aberto, como se fosse um riacho municipal que ninguém pediu. A iluminação pública falha, e quem anda à noite aposta na memória e na sorte. As UBS’s, que deveriam ser a porta de entrada da saúde, sofrem com a falta do básico, o que é um jeito sofisticado de dizer que falta tudo.

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Na zona rural, a situação é ainda mais dramática. As estradas, muitas delas já estão intrafegáveis, e o inverno chuvoso ainda nem chegou. Quando chegar, o que hoje é poeira e valeta vira lama e isolamento. Quem produz não escoa, quem adoece não chega, quem estuda falta. A chuva, que no sertão é bênção, vira castigo quando encontra uma estrada abandonada.

É nesse cenário que a prefeitura decide, com orgulho, abrir o palco. Trinta anos de emancipação merecem comemoração, ninguém duvida. O problema não é a festa, é a ordem das prioridades. Celebrar um município em que o cidadão desvia de cratera para chegar ao posto de saúde, lembra aquele anfitrião que serve champanhe na sala enquanto a goteira alaga a cozinha.

É o velho “pão e circo”, fórmula romana de entreter o povo para que ele não olhe muito para o próprio chão. A versão altoalegrense só tem uma atualização; o pão está em falta, e o circo vem com cachê de seis dígitos.

Se há dinheiro para um show do porte de Zé Vaqueiro, por que não há para tapar buraco, iluminar a rua, abastecer a UBS e cascalhar a estrada?

Com a palavra, Nilsilene do Liorne, prefeita de Alto Alegre do Maranhão...

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