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terça-feira, 6 de outubro de 2026

Dr. Bento Vieira é a prova de que, na política, persistência sem voto é só teimosia com santinho

Dr. Bento Vieira.

Dr. Bento Vieira, o candidato que insiste e o eleitor que não muda de ideia

Em 2016, candidato a prefeito de Bacabal pelo (PT do B), ficou em sexto lugar com 425 votos. Foi menos uma eleição que uma reunião de condomínio. Em 2020, subiu para o quarto lugar e 519 votos, um avanço que só se mede com lupa. Naquele ano, Edvan Brandão foi eleito com 26.466 votos, cerca de 51 vezes a votação do advogado. Não era uma disputa, era um ‘atropelamento com testemunhas’.

No domingo que passou (4), o então candidato decidiu ampliar o horizonte e disputou uma cadeira de deputado federal. Trocou o município pelo estado, na esperança de que o Maranhão inteiro enxergasse o que Bacabal, em duas eleições seguidas, teimou em não ver. O Maranhão olhou, pensou e respondeu com 2.035 votos.

O número tem sua ironia. Em Bacabal, a base eleitoral, Dr. Bento colheu 1.449 votos, quase o triplo do que teve em 2020. Isso significa que, fora da cidade, o resto do estado lhe deu apenas 586. Em outras palavras, o então candidato a deputado federal foi mais votado pelos vizinhos do que pelos demais municípios maranhenses somados, o que talvez seja um mérito. Ou um alerta.

A conta é simples, Dr. Bento Vieira insiste em se apresentar, o eleitor insiste em não votar, e a urna apenas registra o que já se sabia. A cada pleito, Bento reaparece com a mesma esperança e o mesmo desfecho; aplausos de poucos, indiferença de muitos e um resultado que cabe numa planilha de pé de página.

Há quem veja nisso a nobreza da perseverança. Mas perseverar é insistir em algo que dá certo uma hora. Quando o eleitor repete a resposta em três eleições seguidas, o que se tem não é tenacidade, é surdez com horário eleitoral gratuito.

Dr. Bento Vieira tem o direito de concorrer, e a democracia agradece o esforço de quem se oferece ao julgamento das urnas. Mas as urnas, que são educadas, já deram o recado três vezes. Falta ao ex-candidato fazer o que qualquer bom advogado (como ele é) faz diante de um veredicto repetido: ler a sentença. O eleitor, que é o juiz, vem proferindo a mesma decisão com impressionante regularidade, afinal, só aqui, foram três relatadas por mim.

2028 é logo ali.

É aguardar...

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